Gradualmente, a aldeia morre.
As personagens de ontem, já não são as de hoje. Um manto consigo tem levado histórias, restando memórias que se confundem, no decorrer do tempo.
Do imenso, instala-se a solidão. Aquela cujo abraço corrói.
Com Amor, Simon é um filme americano, baseado no livro O Coração de Simon Contra o Mundo. A homossexualidade na adolescência - a descoberta do Eu - e o bullying são abordados de forma natural. Um excelente veículo para quebrar barreiras entre pais e filhos, por exemplo. Como na generalidade das obras americanas, há uma família perfeita, tudo corre bem e até o diretor da Escola obedece ao perfil que considero adequado, no que concerne à relação com os jovens.
Pessoalmente, considero o livro uma mais-valia, escrito por uma psicóloga, com correção e experiência junto à população-alvo. Trata-se de literatura juvenil que prende, até os mais velhos, na esperança de saber quem é o Blue - o "amor" de Simon - e se a relação tem continuidade. É nas palavras que encontramos uma abordagem realista de um certo bullying, expondo uma rede social que à data de uma formação em Saúde Mental Juvenil, alimentava as tentativas de suicídio ou práticas de distúrbios alimentares, numa cidade próx…
Harlots é uma série inglesa, da ITV, e americana, pela Hulu, cujas três primeiras temporadas estão disponíveis na HBO Portugal. O drama foi criado com base em The Covent Garden Ladies de Hallie Rubenhold, com ação em Londres, no século XVIII.
Nesta época, as mulheres de origem humilde, somente podiam vislumbrar o futuro pelo casamento ou trabalho escravo/sexual. Algumas, perspicazes e determinadas, administravam os bordéis da cidade, como é o caso das rivais Margaret Wells e Lydia Quigley. No decorrer das temporadas mencionadas, não obstante a rivalidade, estas são atacadas por fanáticos religiosos, polícias e concorrência relacionada com a exploração do trabalho sexual/ escravo. Apesar do perfil de vilã, muito bem delineado e representado de Lydia Quiglev, estas mulheres têm dificuldade em amar e como tal, perdoar.
Margaret Wells, ao mudar o seu bordel para a Greek Street, no Soho, por forma a conseguir clientes mais ricos e de uma sociedade elitista, acaba por gerar conflitos de …
Imagem de Javier Robles por Pixabay
No nosso país, a palavra racismo tem vindo a ser utilizada de forma indiscriminada, com o cerne da questão nos indivíduos de raça negra. Este fenómeno consiste “no preconceito e na discriminação com base em perceções sociais baseadas em diferenças biológicas entre os povos.”
Nos últimos tempos, atos das forças policiais e pensamentos de alguns políticos têm sido denominados como tal, sem esquecer a morte de um jovem estudante. Apesar de não concordar com alguns dos comportamentos citados, importa referir que o racismo também tem como foco, indivíduos de raça branca, experiência que já vivenciei.
Por cá, o uso abusivo do conceito pode ter consequências nefastas. Os meios de comunicação social continuam a deturpar ou a disseminar, de forma agreste, realidades manipuladas que visam estimular discursos de ódio. Urge não nos deixarmos contagiar e ter em atenção os conteúdos divulgados e comentados nas redes sociais.
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Em Portugal, até ao momento, as duas primeiras temporadas da série POSE, do canal FX, estão disponíveis na HBO. Na
Netflix podemos encontrar a primeira.
Esta é uma série dramática, que
nos permite aprender, ao contactar com uma realidade de variáveis longânimes. O
elenco é predominantemente transexual, afro e latino-americano. Por vezes, pensamos ver Fame ou algumas das cenas do filme Filadélfia. Como pontos
fortes, o elenco, a direção de atores, a banda sonora, o argumento, os figurinos
e a luz. POSE consegue ser doce e divertida, enquanto ácida e cruel.
A 1.ª temporada decorre em 1987/88.
Muitos jovens homossexuais ou transexuais, após serem postos fora de casa,
pelos pais, são acolhidos, do mundo da criminalidade, drogas ou pobreza extremas,
por algumas mães transexuais; neste caso homens que se sentem mulheres, com um
profundo instinto maternal. Assim se formam as casas representativas das
noites de baile, competindo entre si, com glamour, moda e passos de dança inovadores.
O f…
Run Boy Run Corre Rapaz Corre (Alemanha, Polónia e França, 2013) é um filme dramático, entre alusivo aos tempos da segunda grande guerra mundial, baseado em factos reais. Encontra-se disponível, gratuitamente, no catálogo da Rakuten TV.
Esta é uma obra repleta de sentimento, sensibilidade, beleza e valores, que nos permite acompanhar um pequeno órfão que, com a ajuda do pai, conseguiu fugir dos campos de concentração. Na sua senda, perdido na floresta ou a mendigar de porta em porta, oferecendo-se para trabalhar em quintas, o ódio dos seguidores da doutrina de Hitler. A circuncisão era suficiente para comprovar a origem judaica. Um filme perante o qual não ficamos indiferentes, com a mestria, o poder e os ensinamentos de O Menino do Pijama às Riscas e A Vida é Bela.
Alguns dos momentos mais marcantes desta obra consistem no abate indiscriminado do cão de companhia do menino que um dia o salvou da morte, por soldados; a solidão; a perda de uma mão e parte do braço, durante trabalhos de…
Os tempos de luz revelam-se inóspitos.
A verdade assola
fantasmas do passado, enquanto forças apregoam a perfeição e os valores de outrora.
Um séquito sombrio, capaz de gerar violência, intolerância e várias formas de
xenofobia cresce, por entre as sombras dos erros daqueles que abusaram das
regalias ou potenciais de um povo.
A luz tornou-se ténue. A sombra deu lugar à replicação dos
parasitas que disseminam o ódio e comiseração forjada. Entre a luz e a sombra
vive a verdade. Por vezes, utópica, mas muitas vezes domada pela força de
certas penumbras elitistas.
O som daquele grito ecoou. Entre a luz e a sombra, os deveres
e os direitos apresentam assimetrias. O ataque começou. Daquela voz, pouco mais
se ouviu. Seguiu-se um jato de sangue, num apelo estranho ao silêncio dos
inocentes.
Entre a luz e a sombra, muitos são os erros. Enganos que enriquecem
uns, enfraquecendo outros, pondo em causa o futuro.
Entre a luz e a sombra…