Vamos acabar com o bullying


Comentários

  1. Por mais campanhas que se façam, mais avisos, existe um grande problema? As vítimas não falam, sentem vergonha...

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    1. Eu que o diga...
      Só agora consigo falar de algumas coisas. Dos corredores pequenos, sitiados de rapazes mal educados, que nos davam cachaços, com a permissividade dos auxiliares. Do assédio sexual nas aulas de madeiras, de determinado ano; do dono de certa Escola de Condução, no qual via um pai, que me abordou, durante uma aula, da forma mais nojenta, querendo levar-me para a cama. Ainda tenho vergonha, mas devo falar. Só assim outros sentirão força para fazê-lo.
      E... E o professor de Saúde, do 9.º ano, que detestei no 8.º ano, na disciplina de biologia, chegando mesmo a ponderar "Economia", que nunca me fascinou (o que lhe disse ao saber que seria, uma vez mais meu professor), o qual permitia e ria quando um doido, daqueles bem mais velhos dizia que eu era "efeminado". Outro, dizia que adorava fazer sexo comigo na banheira. Este último, não me magoava. Entendia como um desejo pessoal. Já o outro, sem que tivesse feito nada, humilhava-me frente à turma, sem qualquer intervenção do professor.
      Que estes cabrões se f#d@m. Os leitores que me perdoem, mas tudo isto é verdade. A quem podia queixar-me? No caso da condução, o meu pai tomaria uma atitude drástica. Já com as humilhações por parte de outros instrutores, apoiava-os ("És mesmo nabo. Não sabes carregar na embraiagem como numa fod@? Dá-lhe fundo" - ainda vejo a situação). Na altura, raramente dizia palavrões. E assim se criou uma fobia de condução, sem que tivesse reprovado no exame, nem dado as aulas todas (tal era a minha vontade de reprovar, pois, sabia que o meu pai não pagaria caso tal acontecesse). Creio que a calma fez com que tudo corresse bem. Do assédio, como abordá-lo sem sentir culpa ou pensar no que teria feito para gerá-lo?
      No 8.º ano, em madeiras, atualmente tal seria considerado tentativas de atos pedófilos. Aliás, eu e uma prima também assediada, tivemos negativa no 2.º período porque não alinhamos em nada. Na verdade, eu quase não ouvia o que ele dizia. Sentia-me no inferno, naquelas duas horas de um fim de tarde, enquanto parte dos colegas não entendia o que se passava e os mais velhos, aproveitavam para gozar. Acredito, devo dizer, que este não fosse capaz de qualquer ato não consentido. Por sinal, naqueles tempos, as revistas de renome começaram a chegar ao nosso país. Numa delas, li o testemunho de uma mãe que não sabia como agir ao saber que, o seu filho e colegas masturbabam-se em conjunto com um professor da mesma disciplina. Na altura, já tinha maturidade para saber que não era a mesma coisa: em princípio, nesta situação eu teria escolha. Já nas aulas... Um dos colegas mais velhos rachou o meu trabalho. O professor viu, mas acusou-me de ter sido eu a fazê-lo, quando nem queixa fiz. Felizmente, o meu pai não tinha em atenção as notas dessa disciplina. Em têxteis tinha 5. Algo estava errado...
      Importa referir que quando nos massacram com determinado rótulo acabamos por acreditar que faz parte de nós. Tal aplica-se, por exemplo, em termos de parentalidade, quando os pais dizem que um filho "é uma vergonha", comparando-o com outros, sem valorizar os aspetos positivos.
      Estranho: a vontade de escrever no blogue nunca foi tão reduzida, mas este é o 2.º comentário em que falo de forma aberta.

      Beijos.

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    2. Obrigada pela tua honestidade , beijos

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  2. Li o teu relato no comentário acima e lamento. Espero que outros tenham a alternativa que tu não tiveste.

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    1. Por vezes penso que devia escrever a respeito.
      De certa forma, a única que me deixou marcas, prende-se com a amaxofobia. A situação, a falta de vocação... Mas superei. Uma parte, é certo, mas já é muito bom.
      Abraço forte.
      És um rapaz muito rico e os teus pais devem ter muito orgulho nessa riqueza.

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  3. É e será sempre de louvar cada alerta e cada sensibilização!!!
    beijinhos

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    1. É verdade, Maribel.
      Existiu, existe e existirá. Isto porque, o ser humano é mau, em diferentes valores.
      Beijos meus.

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  4. Tenho muito medo... tenho um filho com 4 anos e já vivo assombrada com esta nuvem que tende a escurecer na nossa cabeça... Penso imenso como lhe ir dando ferramentas para lidar com isto, para não ser vitima desta maldade!!

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    1. Sem medo.
      Esta realidade existiu, existe e existirá. Penso que a melhor ferramenta prende-se com a confiança. Costumo dizer aos meus alunos que os pais são os melhores amigos, mesmo sabendo que em alguns casos não são assim e que existem aqueles que parecem nutrir um certo ódio pelas crias. Manter uma relação de abertura, desde cedo, com a criança, é fundamental, não só no prevenção do bullying. Ver um filme em conjunto e discuti-lo, a cena de uma novela, relatar com linguagem adequada ao nível etário da criança/adulto alguns dos nossos problemas... ;)

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