Com a reforma do Pai Natal
Desafio de Escrita dos Pássaros #15
O Pai Natal há muito solicitou a reforma. Demência e artrites
várias não foram razões suficientes para que o Governo português agilizasse o
processo com a rapidez necessária. Afinal, ele não se dedicou à política, nem manteve
conhecimentos em certa orla social. O deferimento foi conseguido já no mês de
dezembro, o que desesperou Rodolfo, incumbido de recrutar um novo sujeito
para o cargo, independentemente da nacionalidade
Não foi difícil divulgar a vaga de emprego. Os candidatos logo
surgiram, em grande número, para tão curto espaço de tempo, entre pessoas repletas de energia, esteroides e algum botox. Na fila de espera, as
conversas divergiam entre aqueles que temiam tornar-se “porcas”, com a chegada
da época natalícia, sem acesso ao ginásio e os que receavam a ausência da “internet”
móvel, por forma a divulgar as fotografias das funções, nos diferentes lugares.
Isto, sem esquecer a falta de tempo para as “nudes”, testar e divulgar mil e um
produtos de cosmética, sem quaisquer conhecimentos.
De repente, sem qualquer alerta vermelho prévio, a depressão
Elsa instalou-se.
Perante ventos e chuvas fortes, a maioria dos candidatos
buscou auxílio nos pais, alguns deles sem poder vislumbrar o merecido descanso,
já que o mimo excessivo, outrora dado, tornou-os escravos das suas crias. Não obstante, a idade e a fase adulta, molhar as roupas ou as botas, não poder
exibir os modelos e o corpo, combinados com a traje, levou à desistência de
outros. Alguns deles, apesar das adversidades do clima, aproveitaram para tirar
algumas fotos no rio Mondego, fazendo referência, nas redes sociais a Veneza.
Para dificultar ainda mais a árdua tarefa de Rodolfo,
perante candidatos tão inusitados, cuja palavra “vergonha”, proferida na
Assembleia da República, ecoava na sua cabeça, um apagão fez-se sentir. O vento
embalou muitas famílias, de velas acesas, durante o jantar. Em muitos pontos do
país, o espírito de natal disseminou-se, considerando outros tempos, com as
famílias a conversar, algumas com o som do rádio, enquanto saboreavam os
alimentos e a presença dos seus elementos. Neste ano não houve Pai-Natal. Perante
as adversidades, o estado da calamidade e a ausência de tempo, Rodolfo reabrirá as candidaturas no próximo ano. Entretanto, há que consciencializar a
população para esta quadra, uma vez que têm vindo a aumentar os sem-abrigo, a
fome, a futilidade e a falta de respeito pela natureza.

Quero desejar um grande e feliz ano de 2020.
ResponderEliminarKique
Hoje em Caminhos Percorridos - Junta-te à Petição
Um texto que "traduziu" com classe o mês de Dezembro. Pessoas indiferentes ao que aconteceu. Consumismo. Falta de respeito pelos outros e pela Natureza.
ResponderEliminarUm texto que li em voz alta para a minha criança!
Tudo de bom para si e sua Mami. :)
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Passando para vos agradecer todas as visitas na minha ausência, e pelo vosso carinho... Continuação de um feliz Ano de 2020. Com todas as festas fiquei/ficámos gripados
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Ano novo, novo ciclo de vida.
Beijo. Boa noite!
Um 2020 em grande.
ResponderEliminarhttps://media2.giphy.com/media/XyVTS9MZqJOKxqyJtM/giphy.gif
De facto, um mês que já não é o que era e que se tem agravado.
ResponderEliminarAs assimetrias são cada vez maiores e assustadoras. Ainda nesta quinta-feira, ao folhear os catálogos de duas superfícies comerciais fiquei assustado com os preços dos bens essenciais. Se no interior é difícil, imagino na grande cidade. Ninguém diz nem faz nada. As silhuetas continuam a pavonear-se, com máscaras mil, enquanto outros privilegiam as selfies e o sensacionalismo. É triste...
Boa tarde de domingo.
Abraço.