Vinicius de Moraes - Poema de Natal

Presépio dos BV de Sta Comba Dão



Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos?
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos?
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai?
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte?
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Poema de Vinicius de Moraes a ouvir AQUI


Comentários

  1. Leio este poema num dia em que estou triste e de luto pela "nossa " companheira de Blogues Marta Elle da Nota Dissonante que faleceu. Ainda estou chocada com a notícia. Não sei para que vivemos.

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  2. Uma boa escolha para a "época"!
    Desejo que se encontrem bem. Claro está, incluo a sua Mamy!:)

    -
    Uma visitinha rápida desejando continuação de festas felizes, extensivo a todos, sem excepção.
    -
    Tempo nefasto...
    Beijos e uma noite feliz.

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  3. Boas festas, Pedro.
    Um abraço. https://media0.giphy.com/media/h3naLriN0LyfIX1uRN/giphy.gif

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  4. Está a ser-me difícil retomar o ritmo que antes mantinha no blogue, respostas aos comentários, visitas a outros espaços (sempre aprendemos algo)... Que vergonha!
    Ontem, no telemóvel, não sei como, fui ao encontro deste teu comentário. Não dormi. Revivi um passado que ainda está muito presente. Pelo menos, já não sofre. Tal como aconteceu aqui em casa, não podemos ser "egoístas" pretendendo a pessoa em vida, num sofrimento atroz. Creio que tinha filhos. Se o meu luto foi tão complicado, sendo adulto... Espero que a família encontre muito calor humano e saiba prosseguir, de forma mais rápida e salutar do que aquela que, por cá, soubemos.
    Somos instantes. Nada mais do que isso.

    Fiquei triste ao ver que, nos blogues que têm gente por dentro, não houve um só destaque, referindo o momento. Quanto não fosse uma palavra de alento aos familiares.
    Somos instantes com os quais os egos inflamados ou dolentes procuram desencadear combustões. Infelizmente.
    Beijo grande. https://media3.giphy.com/media/NxM1gfv8aUC5i/giphy.gif

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  5. Boa noite, Cidália.
    Sempre tão querida e gentil.
    Já eu, perdido, sem conseguir retomar o ritmo.
    Boas festas para si e todos os que lhe são queridos, com um beijo nosso.
    Ah, uma sugestão! Há dias, ao ler os seus comentários no Instagram pensei por que razão não começa a escrever uns artigos de opinião? Força. Acredite em sim. https://media0.giphy.com/media/AiF9dd7C9eFGCbVMOo/giphy.gif

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  6. Acho que não tenho jeito! Lool Mas, acredite, que tenho uma opinião contrária às das Mamãs actuais, onde os seus queridos filhos fazem e têm o que querem! Até tenho medo da adolescência da "minha" filha mais nova. (que é só do marido)
    Qualquer coisa tenho mail.- [ cidaliaferreira5@gmail.com ]
    Beijos :)

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  7. Não tenha medo. Experimente!
    Pode escrever sobre uma novela, uma série, um filme, algo que aconteceu... Permita que as suas asas a deixem voar ainda mais longe.
    Beijos meus.

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  8. Tens razão. Se ela sofria era egoísmo querer que cá estivesse.Sim acho que tinha filhos, não sei ao certo E também estranhei realmente que os blogues que trem gente dentro não dessem sequer uma nota enfim. E não te preocupes com as respostas., responde quando podes e pronto e se não responderes também não nos zangamos. Às vezes também me escapam comentários.

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  9. Foi com essa ideia sempre presente que vi o meu pai no caixão até ao último minuto. Não é fácil e nunca se está realmente preparado para a perda. Há sempre a esperança de "um milagre". O mesmo aconteceu, com a minha avó. Pode parecer estúpido, mas até sinto falta das crises que tinha. Ainda não fez um ano que se despediu, ao colo da minha mãe, após os cuidados de higiene. Olhou a minha mãe nos olhos, como se quisesse dizer algo e partiu. Logo fui chamado. Estava no quarto ao lado. Já nem sabia com detetar os sinais vitais. Por momentos, lutei contra as evidências. Ups, creio ter algumas nuvens com chuviscos no olhar.
    A psicóloga diz que só agora estou preparado para chorar, libertar-me... Desde 2012, num mundo tão confuso, nunca idealizado ou esboçado. As experiências, mesmo em contexto escolar. Cheguei a ouvir "Tu não disseste isso. Tem cuidado, pois, estás com Alzheimer como a tua avó", como tentativa de manipulação psicológica e "Se os pais têm cancro, o melhor é não estarmos perto dele, pois ainda nos passa a doença" (isto, no bar de professores)

    Olha para esta minha resposta. Acabei por lavar um pouco a alma. Desculpa. Queria tanto que não cometessem os meus erros. Desconhecia o pré-luto, o luto, a sua importância, como facilmente mergulhamos em burnout.

    Esta fase do ano é tão complicada. Já assim era antes da avó partir. Agravou-se!

    Que a Marta esteja em Paz.
    Beijo grande. https://media0.giphy.com/media/uZclwnfXqjpMk/giphy.gif

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