Projetos Eleitorais, Alimentação nas Escolas e devaneios
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| Imagem de Gerd Altmann por Pixabay |
Projetos eleitorais são, na sua maioria, devaneios doces e salgados, ligeiramente perfumados, no intuito de cativar o cidadão distraído.
A alimentação na maioria das Escolas Públicas, sobretudo naquelas
que não têm serviços próprios de cozinha, deixa muito a desejar. Ainda recordo,
há 10 anos, o esparguete acompanhado por almôndegas brilhantes. Aquelas cuja
luz não me cativou, mas cujo reflexo levou-me a uma noite de luxúria no hospital. Uma vesícula biliar sedenta de aliviar os seus cálculos na massa
cinzenta de certos políticos daqueles tempos. Aqueles que ainda são os de agora.
Afinal, neste domínio, mobilidade é algo a que não se assiste no nosso país.
Ao ler o artigo, Alimentação
Saudável e os Programas Eleitorais, disponível na Visão, não pude conter uma gargalhada suave, ainda que contida. Recordei o famoso reitor da Universidade de Coimbra (UC).
Aquele que, na semana passada, veio a público justificar a não confeção de
pratos com carne de vaca, nas cantinas da sua Universidade, em nome do Ambiente. Há quem diga que este é o reitor
do futuro. Qualquer cidadão minimamente esclarecido terá pensado nas
desvantagens para a saúde face ao aumento do consumo da carne de porco, no
preço da carne de aves e vaca. Naquele discurso, o lado inusitado é evidente. Admito
ponderar, em nome do ambiente, elaborar uma proposta no intuito de submeter os estudantes daquela instituição, a uma dieta “vegan”, tendo em vista a redução do sofrimento das galinhas durante e após o processo a ovulação.
Retornando aos projetos eleitorais e a sua relação com a
alimentação nas escolas, pena é que estes, projetos e políticos, esqueçam as dificuldades que muitas atravessam. A ausência de serviços e meios que
inviabilizam a veracidade e concretização daquilo que plasmam. Talvez não
saibam, mas em muitas escolas, as ementas são elaboradas por professores das
áreas relacionadas com a Saúde. Destas, muitas ficam no papel. Empresas ou auxiliares,
com pouco têm de fazer muito. A sopa dos pobres que obriga a mastigar de forma
cabal ou cujo aspeto se assemelha ao vómito do nosso gato.

Ora bem sobre essa decisão, penso ser incompleta na medida em que deveria divulgar outro conjunto de medidas ecológicas e talvez mais eficazes. Recordo-me de ler todos os anos notícias de haver latas espalhadas na cidade e de carrinhos de supermercado atirados para o rio mondego. Neste artigo de opinião chama-lhe "reitor do futuro" mas não é só com uma medida avulsa. Será tb que não houve critérios de poupança de €€€ na conta?
ResponderEliminarPS. Parabéns pelo novo blog. :)
Obrigado!
EliminarClaro que sim, L. Como sabes, vivo "perto" de Coimbra, pelo que as ementas são conhecidas. Não só as de agora, entenda-se. Importa saber qual é o número de alunos que recorre ao refeitório. Qual o preço da senha, em função do "escalão" do aluno. Qual...
"Reitor do Futuro" - qual futuro? É sempre bom criar celeuma em torno de algo para desviar a atenção de questões mais importantes 😊 O que é feito do prestígio da UC? Dos alunos colocados, na globalidade dos cursos, com médias altas? E a boa preparação científica sem esquecer a integração em contexto profissional?
Pequenas questões lançadas aqui no Dão, rumo ao Mondego.
Abraço.
Nada está bem em lado nenhum, na sociedade, na política, na religião, na saúde.
ResponderEliminarPara onde caminhamos, Maria? 🤷♂️
EliminarO comer em muitas cantinas para não dizer na maioria é de lamentar, vamos de 4 em 4 anos assistindo , seja legislativas seja autárquicas a um rol de intenções enganosas para melhorar este comer, mas.... passado estes tempos tudo fica na mesma.
ResponderEliminarAbraço
Kique
Hoje em Caminhos Percorridos - Hoje foi demais…
Bem-vindo, Kique.
EliminarEstou totalmente de acordo contigo.
Abraço,
P.
Acho que não te preciso dizer mas actualmente, os miúdos até fotografam a comida para mostrarem aos pais. E há quem aqueça o traz de casa no microondas da escola, quando existe.
ResponderEliminarBoa Quarta!
Nem sempre as fotografias correspondem à realidade. Alertaste-me para uma realidade que esqueci de abordar. Quantas vezes, auxiliares e/ou professores tentam que alguns "miminhos" comam, acabando por receber, como bónus, uma denúncia na direção ou nas redes sociais, que não corresponde à realidade?!
EliminarPessoalmente, depois de ter deixado uma escola com uma cantina excelente, aderi ao "movimento marmita". Pelo que escrevi no texto, mas também pelo agora citado.
Continuação de um dia de luz.
Pois eu vejo os meus com fotos mas acredito nas boas funcionárias...
EliminarAinda as há!
EliminarAssunto resolvido
ResponderEliminar:)
Obrigado ;)
EliminarCheguei a Santa Comba Dão.
ResponderEliminarA terra da minha família paterna.
E vou ficar por aqui.
Fazer a viagem Macau/Santa Comba Dão para ir embora era uma tolice.
Aquele abraço
O teu nome apelido é muito comum em Sta C. Dão, estendendo-se, inclusive, até Nelas.
EliminarPor cá, fico à tua espera, na mesa de um café.
Abraço,
P.
Aquela ideia de, pelo menos, uma refeição vegetariana por mês nas cantinas escolares é excelente. Nomeadamente para os tascos que circundam as escolas...
ResponderEliminarSe soubessem o que consta nos lanches dos miúdos...
EliminarEles são os doutos!
"professores tentam que alguns "miminhos" comam"
ResponderEliminarNunca recebi um miminho. Ou se recebi/ recebemos, era com mais uma ou duas peças de carne... e que muitos alunos desperdiçavam.
Utilizei "miminhos" referindo-me aos alunos. Aqueles que são excessivamente mimados.
EliminarO desperdício de comida é outro ótimo tema. Sendo que, indiretamente, vai ao encontro de muitos destes "miminhos".