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R.E.M. - Everybody Hurts

Quantas lágrimas,
Quantas recordações...

Do séquito das emoções, as memórias...
Todos nos magoamos, mas a dor maior pode estar tão perto de nós, camuflada por sinais no dialeto de um abismo.

Entre eles, quantos problemas





Naquela manhã, aparentemente terna e estimulante, banhada pelo conforto do vento suave que acaricia a tez, Sara, por instantes, guardou em si todos os problemas do mundo.
Ao longe, águas com partículas atómicas dançantes, percorriam o leito que as abraçava e que Sara jamais conseguira ter, num contraste de cor e som. O seu Eu e o leito sempre foram preenchidos por fluídos que adornavam as paredes encarecidas e tristonhas daquela casa, assim como pelas marcas que alcançavam a alma. 

Subitamente, a seu lado, apercebeu-se da existência de uma víbora que dava início ao seu manjar: uma codorniz que via assim o princípio do fim, na teia do encantamento feroz e traiçoeiro de um instante de confiança. A poesia não residia ali. Uma vez mais, assim como em tantas das páginas da sua vida, a liberdade fora-lhe roubada. 

Sara, gritou. Um grito que trouxe consigo a libertação de uma dor interna, incomensurável, profunda e agonizante. Sabia-a interminável, sem solução aparente ou próxima e de difícil credibilidade por parte dos familiares. Num ápice, a presença do pai, acentuou o tom mais agudo proveniente das suas entranhas A dissonância residia ali. Uma outra vez, aquele que a devia protege-la de um mundo inquieto, domou-a como uma serpente no Paraíso, entre palavras vãs e gestos rudes. 

A penetração forçada, antecedida por um soco no seu rosto, deu-lhe alento, por forma a tornar-se dominadora. Num movimento de prazer dolente e inquietante, libertou a fera contida em si. O punhal e o cutelo estavam mesmo ali ao lado, disfarçados entre a vegetação impávida e serena. Mulher serpente, domou a ignorância de um falo maldito, apoderando-se do objeto de prazer: o punhal. Ergueu-o e…


No dia seguinte, os média farejavam cada canto daquela localidade, adormecida pelo sangue, o manto negro, as palavras das comadres e o arrepio daquele que foi o último grito. Como sempre, apesar de todos conhecerem o passado de submissão e violência desta jovem, poucos são os algarismos capazes de quantificar a maledicência gerada em torno daquela mulher, desprovida de asas. Em casa, dado o trabalho jornalístico dúbio, todos se sentiram no direito de julgá-la. Logo ela que, entre problemas e só problemas, definitivamente acabara por “alimentar” os decompositores daquele solo fértil. O preço da justiça.


                           Conto de ficção para o Desafio de Escrita Os Pássaros #1

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Este blogue é feito de histórias reais, emoções, prazeres, opiniões e alguma ficção. Também de pessoas que interagem e de uma mão que se estende, mesmo que cheia de nadas.

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